Eu sou feita de carne, osso, curvas, sangue, desejos e vontades, sonhos, amores… de fases e ciclos. Sou o movimento de ser… ser simplesmente eu. Sou feita de água, de ar, fogo e terra, sou a noite e também o dia, amo profundamente mas não provoque o meu outro lado, que ele existe e é tão poderoso quanto meu amor. Tenho mil nomes, muitas faces e infinitas possibilidades, quando me vejo em cada mulher, em cada fêmea, em cada quadril, a cada ventre que cria e recria sua história todo mês, em rubro e rosa.
Movimento da vida, movimento da morte, o ciclo do renascimento. Giros e rodopios, ondulações, movimentos que trazem o equilíbrio traduzindo o amor em nossos corpos… Verto-me em prazer. Êxtase… Bolinhas de sabão, brincar na lama, guerra de mamona, ficar apenas largatixando no sol, ser bicho, uivar para a lua, apurar nosso faro, correr pelos campos, pular nos galhos, gargalhar… aspirar a plenitude. Sou criança, sou jovem, sou velha, mãe, guerreira, filha, cozinheira, neta, dançarina. Sou a espada e a flor. A borboleta das metamorfoses, do ballet das mudanças… Sou completa, inteira… Danço para criar… crio o meu mundo, curo minhas dores, meus sonhos, meus amores.
Nesta dança sou aprendiz e sou a mestra…
Sou mulher,
Sou a loba,
Sou a bruxa,
Sou a fada,
Sou tudo, mas também posso ser nada…
Me desfaço no som e me recrio a cada passo.
Sou inteira,
Sou rubra,
Sou rosa,
Sou a deusa,
Sou eu mesma, do meu jeito, dos meus feitos, dentro e fora do meu peito.
Sou sagrada.
Sou mulher!
(Jad le Morgain)
